Mãe relata furto em veículo enquanto deixava filhos na escola; polícia alerta para golpe do ‘chapolin’

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Vinte e quatro horas após ter sido vítima de um crime de furto em veículo enquanto deixava seus dois filhos pequenos na escola quarta-feira (12), Guedria Motta ainda tenta assimilar seu roteiro percorrido para entender a velocidade de como tudo aconteceu. Guedria conta que quando percebeu a falta do notebook e de uma grande quantia em dinheiro de sua carteira, assimilou que foi furtada. A jornalista e mãe de dois filhos, ambos diagnosticados com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), conversou com o Jornal da Diplomata.

“Estacionei o carro no pátio da escola, por volta da 1h20, e não tenho lembrança se travei ou não o carro. Tenho dois filhos, naturalmente, preciso cuidar deles. São crianças especiais, são duas mochilas, uma lancheira, então nem sempre tenho o hábito de travar o meu carro. Até porque, eu só faço a entrega das crianças ali e logo volto. Não estou estacionada na rua, estou estacionada dentro de um pátio de uma escola, que, inclusive é murada. Nunca me passou pela cabeça sofrer um furto, nada disso”, relata a mãe.

Depois que deixou os filhos na escola, a jornalista lembra que não percebeu nada de diferente e dirigiu até seu escritório, que fica bem próximo da escola. “Quando cheguei no escritório, percebi que meu notebook não estava no carro. Pensei que estivesse esquecido ele em casa, apesar de ter uma lembrança de tê-lo colocado no carro”, conta.

Mas foi quando Guedria passou em uma loja para pagar uma conta que percebeu que algo realmente estava errado. Havia desaparecido de sua carteira uma grande quantia em dinheiro. Agora, além do notebook, o dinheiro também havia sumido. “Falei para a balconista da loja: acho que fui roubada”, lembra. Guédria logo acionou a polícia, que foi até o local, anotou a ocorrência, depois ela foi encaminhada para a delegacia registrar o caso. Ao retornar na escola, a jornalista foi informada de que na segunda-feira havia sido registrado algo com outra mãe, semelhante ao seu caso.

Em conversas durante o decorrer da quarta-feira, a jornalista recebeu diversos relatos de pais que também disseram que seus carros não estavam travando. Por mais que tentassem fechar o carro, não era possível, por isso há suspeita de que o golpe do ‘chapolin’ pudesse estar sendo aplicado nas redondezas. Fato este que se repetiu nesta quinta-feira, 13.

Ouça relato da jornalista ao Jornal da Diplomata!

Áudio Guedria Motta

O golpe conhecido como ‘chapolin’ é onde o criminoso usa um aparelho que bloqueia o acionamento da trava do veículo. O motorista sai do carro e pensa que acionou o alarme e a tranca, mas as portas ficam abertas. Na ausência das motoristas é que a ação acontece, já que as portas do veículo estão abertas.

Conforme o Delegado responsável pela Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Brusque, Alex Bonfim Reis, a situação ocorrida no entorno do SESI Escola é, infelizmente, comum em locais de grandes movimentos de veículos e pessoas. “Os criminosos já estão ali, já sabem o horário de entradas e saídas dos filhos na Escola, então eles sabem que vai ter uma movimentação intensa de pais entrando e saindo para buscar os filhos”, pontua.

Reis acredita que os criminosos já ficam à espera nesses horários, esperando essa movimentação e algum eventual descuido. E, para agir, fazem uso de um equipamento bastante conhecido no meio do crime. “Obviamente, ali eles estão usando algum tipo de equipamento, o mais comum é o conhecido ‘chapolin’, que bloqueia o sinal da trava da chave para o veículo. Eles observam que alguém está chegando e apertam o ‘chapolin’. São esses dois ou três minutos que eles precisam para ir no carro e pegar o que interessa a eles. É uma situação em que eles se aproveitam desse momento”, explica o delegado.

Acompanhe em áudio o que diz o delegado Alex Bonfim Reis!

Áudio Alex Bonfim Reis

Orientação

Alex orienta que, mesmo em meio à correria de descer do carro, entregar os filhos na escola e retornar ao veículo, é importante que os pais chequem se o automóvel foi realmente travado. “Aperte a trava, depois verifique a maçaneta se o veículo está realmente travado e, caso perceba que não está travando com a chave automática, vá no veículo e feche com a chave, certifique-se de que realmente está fechado. Porque possivelmente se esse tipo de falha nunca aconteceu, mas naquele momento não está conseguindo travar o carro, é porque tem alguém ali usando de algum artificio para tentar impedir essa conexão entre a chave e o carro para então deixar aberto e furtar os objetos dentro do veículo”, orienta.

Escola emitiu alerta aos pais

A direção do SESI Escola, na mesma data do ocorrido, emitiu um alerta aos pais e colaboradores do educandário, com orientações sugeridas pela Polícia Militar após a constatação do ocorrido com a mãe Guedria. “Nós entendemos ser um caso pontual, inclusive chamamos a polícia que nos informou se tratar de um crime em que eles [criminosos] escolhem alguns pontos”, diz a escola. O comunicado emitido aos pais citava que, devido a onda de furtos de veículos em Brusque, a escola, visando a prevenção para que os crimes reduzam, solicita que todos se certifiquem, ao fecharem seus veículos com controle, se realmente foi trancado. A nota, com as orientações da PM, também cita a forma como o crime é efetuado por golpistas e, por isso, é preciso ficar em alerta.

Outros casos

Além do caso da Guédria, há relatos de outros pais que dizem ter sido vítimas de furto nos últimos dias. A princípio, já são cerca de quatro casos semelhantes somente nesta semana. O caso segue sendo acompanhado pela polícia.

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